Trauma Acústico

Em função da duração da exposição, estimulações sonoras de intensidades elevadas (superiores a 90dB) vão lesar as estruturas do órgão espiral e provocar perdas auditivas temporárias ou permanentes, dependendo se essa lesão vai ou não ser reparada. A nível das estruturas neurossensoriais (células ciliadas e neurónios ganglionares), o alvo do traumatismo acústico é duplo: as CCEs e as terminações do nervo auditivo em contacto com as CCIs. Estas estruturas são diferencialmente atingidas dependendo do tipo de ruído traumático e da sua capacidade de se repararem ou não, do ponto de vista funcional.
Consulte informação mais completa sobre os sons (ou ruídos) que põem o nosso   ouvido em perigo.

Lesão das células ciliadas

Visão da superfície duma cóclea de rato em microscopia eletrónica de varrimento.

M. Lenoir

Cóclea normal

A fiada das CCIs e as três de CCEs têm um aspeto perfeitamente normal.

Nota: esta imagem e as seguintes apresentam ampliações ligeiramente diferentes; para ter uma ideia da escala, a distância entre os cílios das CCE (em V) é de 7 µm.

J. Wang

Traumatismo acústico : nível 1

Algumas CCI e CCE da 1ª fiada  desaparecem.

J. Wang

Traumatismo acústico : nível 2

Com o aumento da intensidade do som traumático, a maioria das CCI da zona frequencial desse som desaparecem. AS CCEs da 1ª fiada também desapareceram e já são visíveis lesões a nível da 2ª e 3ª fiadas.

J. Wang

Traumatismo acústico : nível 3

Com um nível sonoro ainda mais elevado apenas algumas CCEs  da 2ª e 3ª fiadas são visíveis na zona frequencial do som traumático.

O traumatismo acústico causa dois tipos de lesão : lesões sinápticas e lesões celulares.

A exposição a um som de 130 dB (SPL) durante 30 minutos provoca, na mesma zona do órgão espiral, a destruição excitotóxica da sinapse entre a CCI e o dendrito do neurónio auditivo e a lesão da 1ª fiada das CCEs, mas por vezes, envolvendo também as CCIs e a 2ª fiada de CCEs .

R. Pujol

microscopie électronique de cellules ciliées

R. Pujol

microscopie électronique de cellules ciliées

R. Pujol

Imagens de microscopia eletrónica de células ciliadas após traumatismo acústico.

À esquerda, observa-se a lesão sinática junto à base da CCI; em alguns casos, esta lesão sináptica pode ser reparada.
Ao centro e à direita,apresentam-se imagens de CCEs algumas horas após o traumatismo; Numa CCE da 1ª fiada (centro) e na imagem da direita, mais tardia, observa-se o núcleo apoptótico e uma citólise avançada: as CCEs vão desaparecer (por apoptose).

Les cellules ciliées

M. Lenoir

As células ciliadas vão desaparecer em 2-3 dias por apoptose. 

Nesta imagem de superfície observa-se um "buraco" provocado pela perda de 7 ou 8 CCEs da 1ª e 2ª fiadas, duma CCI e mesmo dos pilares (tracejado azul)...

   

Fase aguda e fase tardia - Perdas temporárias e definitivas

Atteinte traumatique des neurones cochléaires
Atteinte traumatique des neurones cochléaires
Atteinte traumatique des neurones cochléaires
Atteinte traumatique des neurones cochléaires

Fase aguda
O excesso de ruído, logo da libertação de glutamato, provoca o edema e o rebentamento da botão sináptico (excitotoxicidade). Esta fase pode ser seguida de um período de repouso da fibra e de reparação sináptica, com recuperação funcional (em 2-3 dias). No entanto, a repetição destes acidentes pode levar à perda irremediável do neurónio. (ver fase tardia)

Fase tardia
En cas de traumatisme sévère ou répétitif, les cellules ciliées internes sont endommagées et disparaissent (voir les images en MEB ci-dessus). Cela va aussi être suivi quelques jours plus tard par une mort neuronale par apoptose; cette disparition des neurones s'ajoute à celle des cellules ciliées pour expliquer les pertes auditives définitives (voir ci-dessous).No caso de traumatismo severo ou repetido, a morte neuronal, devida principalmente à entrada massiva de cálcio, pode ocorrer. Neste caso a lesão neuronal junta-se à das células ciliadas explicando as perdas auditivas definitivas. 

Une exposition traumatique

J-L. Puel, J. Ruel

Perdas auditivas temporárias e definitivas (permanentes)  

A mesma exposição (6kHz, 130 dB SPL, 15 mn) provoca, no cobaio:

-perda auditiva grave (curva azul) na cóclea não protegida.

-perda auditiva moderada ( Cerca de 40 dB, curva vermelha) se a cóclea for previamente "protegida" com a perfusão de quinurenato, que impede e excitotóxicidade.

Estes dados indicam, que neste tipo de exposição sonora, 50% da perda auditiva se deve a lesão da sinapse (excitotoxicidade).               

Última atualização: 2016/30/10 17:25